João Pessoa, 11 de janeiro de 2010 | --ºC / --ºC Dólar - Euro
A admiração já não é mais a mesma. O que antes empolgava, agora não passa de vagas lembranças.
A consideração ainda existe, mas o palpitar do coração nem de longe tem aquele ritmo de outrora.
O olhar, antes apenas de um dono, facilmente se atrai por outras cores e sabores. A distância vai chegando devagar.
Os dois nem percebem. Aliás, fingem que o gelo instalado é passageiro. As coisas vão se ajeitar, tentam em vão se convencerem do que já intimamente não acreditam.
O romance extra-conjugal acontece por baixo de outros panos. Nem mais quente, nem mais frio. Apenas diferente. O suficiente para causar suspiros incontidos.
As desculpas. As mentiras. As desconfianças. Tudo vai ganhando corpo e o formato do fim que se aproxima.
Como aceitar? Como esquecer tantos gestos e renúncias? Uma história em vias de terminar da forma mais dura. Com traíção e mentira.
Chega a hora da verdade. A notícia já tão desconfiada entra nos ouvidos como se um furacão devastesse mente e coração de uma só vez.
A confissão era esperada, porém tão desesperadamente ignorada na tentativa de viver mais um pouco da ilusão de um amor cada vez mais murcho.
A verdade derruba muros de juras, castelos de sonhos, alicerce de abnegações. O que era casamento feliz dá lugar ao caminho da separação traumática.
Eis o divórcio. Na partilha, perdem os dois lados. Assim como no amor, o "disquite" político deixa marcas. Muitas nem o tempo pode apagar.
Cássio e Cícero sabem disso.
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