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O centenário do escritor José Saramago, (foto) falecido em 2010, se aproxima. Começou a vida profissional como torneiro mecânico, mas foi chamado pela sensibilidade das palavras. Longe de ser autor de um sucesso só, o português publicou vasta obra e foi reconhecido por ela, tornando-se o único escritor de língua portuguesa a receber prêmios do mais alto nível.
Algumas de suas obras já nascem clássicas, certas de que serão passadas por gerações, porque dialogam com situações que se repetem. Para as recentes e absurdas teorias da conspiração sobre a legitimidade das eleições, cabe o romance Ensaio sobre a lucidez, por exemplo, em que a maioria esmagadora de um país decide votar em branco. Há um Saramago para cada angústia contemporânea. E agora, José? Diferentemente do poema de Drummond, a festa, para os leitores de José Saramago, jamais irá acabar.
A luz apagou? Em Ensaio sobre a cegueira, uma epidemia de luz branca colapsa uma sociedade, cujos cidadãos precisam se redescobrir como cegos que veem.
O povo sumiu? Não há problema. Lendo As intermitências da morte, ninguém mais desaparece, nem os doentes, os moribundos ou os suicidas.
A noite esfriou? Tome como companhia A noite, uma obra dramática que se passa na redação do Jornal de Lisboa e é quase desconhecida pelo público.
Você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta… Há também um livro do Saramago para você, basta procurar.
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OPINIÃO - 22/11/2024