João Pessoa, 12 de dezembro de 2024 | --ºC / --ºC Dólar - Euro
A figura imponente, de olhos vendados e balança na mão, nos lembra uma verdade muitas vezes esquecida: a justiça não se confunde com a bondade. Ser bom, por si só, não garante a equidade. Quantas vezes nos deparamos com a tentação de sermos excessivamente bondosos, de ceder a pressões, de ignorar o que é justo em nome de uma falsa compaixão?
A vida, muitas vezes, nos apresenta situações complexas, onde a linha tênue entre o bom e o justo se torna um labirinto. É fácil ser bom quando as consequências não nos afetam diretamente. É fácil ser compreensivo quando a injustiça não nos atinge. Mas, e quando a bondade excessiva nos torna cúmplices da própria injustiça? Quando ela nos transforma em alvo fácil para a exploração?
A verdadeira justiça requer discernimento, firmeza e, acima de tudo, a coragem de tomar decisões que, embora possam parecer duras, são necessárias para a manutenção do equilíbrio. Não se trata de ser frio ou implacável, mas de ser justo, mesmo que isso exija sacrifícios.
A bondade sem limites pode gerar dependência, e a dependência cria desequilíbrios que se transformam em opressão. A verdadeira compaixão reside na busca por uma solução justa, que respeite os direitos de todos e não privilegie apenas a apaziguamento momentâneo.
Devemos, pois, buscar o equilíbrio entre a bondade e a justiça. Não se trata de optar por uma em detrimento da outra, mas de integrar ambas as qualidades em nossa maneira de agir. A balança da justiça precisa estar em harmonia com o coração. Uma sem a outra, o equilíbrio se perde, e a paz se torna uma miragem.
* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB
ENTREVISTA NA HORA H - 11/12/2024