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Presidente Lula em pronunciamento oficial à nação, na última segunda
O pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, veiculado na noite de segunda-feira (19) em cadeia nacional de rádio e TV, marcou uma mudança significativa na estratégia de comunicação do governo. A decisão de exibir um vídeo curto, com tom otimista e linguagem acessível, não foi aleatória. Pelo contrário, é uma resposta clara à queda de popularidade registrada nas últimas pesquisas de opinião.
Os recentes levantamentos dos institutos de pesquisa revelam um cenário preocupante para o governo. O do Datafolha, divulgado em 14 de fevereiro, mostra que aprovação caiu de 35% para 24% em dois meses e a reprovação subiu de 34% para 41% no mesmo período. Já o da Quaest, que ganhou os noticiários ontem, apontou que o governo de Lula é reprovado por 50% ou mais dos eleitores nos oitos estados pesquisados, entre eles, Bahia e Pernambuco, com histórico de vitórias para o petista.
A principal justificativa para essa mudança na avaliação do governo está no bolso dos brasileiros. O aumento do custo de vida e a decepção com a economia do país parecem ter impactado a percepção da gestão. Diante desse quadro, o Planalto precisou reagir – e começou pela comunicação.
Pronunciamento como peça de marketing – O vídeo transmitido na segunda-feira foi o primeiro sob o comando de Sidônio Palmeira, novo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O material foge do tradicional formato de pronunciamento presidencial e se aproxima de uma peça publicitária: discurso curto e direto; música crescente e tom otimista; imagens emocionantes e cortes dinâmicos; uso de expressões populares (“olha que legal”, “é tudo de graça”).
Ao invés de uma fala meramente informativa, o presidente aparece como um porta-voz dos benefícios sociais, destacando medidas como o Farmácia Popular e o Pé-de-Meia – programas já anunciados, mas agora expostos com uma narrativa mais atraente e emocionalmente envolvente.
Muda o estilo e a estratégia
Outro ponto observado é que, até então, os pronunciamentos de Lula seguiam um padrão: edições em datas comemorativas, como o Dia do Trabalho, Natal e 7 de Setembro. A quebra desse ciclo, com um vídeo sem data simbólica, sem um anúncio de peso e ainda transmitido em dois momentos estratégicos para a audiência – à noite na TV e de manhã cedo no rádio –, indica um cálculo preciso. O governo focou no eleitorado de baixa renda, público mais afetado pelas dificuldades econômicas e mais influenciado por políticas sociais.
O governo vai conseguir reverter o jogo?
O desafio do Planalto não é apenas melhorar sua comunicação, mas converter essa nova estratégia em uma recuperação de imagem efetiva. Embora o vídeo tenha sido bem produzido e estrategicamente pensado, foi-se o tempo em que a percepção pública se alterava apenas com peças de publicidade e marketing.
A resposta da população dependerá de fatores concretos: a melhora da economia, o impacto real dos programas anunciados e a capacidade do governo de transformar discurso em resultado.
Por ora, o pronunciamento deixa claro que Lula e sua equipe estão atentos às pesquisas e dispostos a ajustar a rota. Se essa mudança será suficiente para conter a queda de popularidade, só as cenas dos próximos capítulos dirão. O governo mudou a estratégia de comunicação. Mas ele só produz resultado se o saldo de gestão também mudar. E pra melhor.
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JOÃO PESSOA/LUCENA - 27/02/2025