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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

O idiota da objetividade

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publicado em 05/04/2025 ás 07h00
atualizado em 05/04/2025 ás 07h35

Esta é uma história sobre o fôlego que se exuma dos salões, dos bacanais, da enganação, da violência e reina a ignorância, e são daqueles dias em que não se tinha esperança e 9s fora, zero. Tipo desenterrar defuntos. Tá assustado, tá?

Pensando na ideia de objetividade  – palavra que de tão repetida, como Nelson Rodrigues notou, tantas e tontos gestores, doutores, escritores cabeça de papel e tudo tornou-se “um simples brinquedo auditivo”.

A virtude não mora ao lado, mora do outro lado, principalmente, quando o inimigo dá o tom estrito e secamente dessa língua parva e fria, que se pretende reduzida ao osso das evidências, jamais aos ossos do oficio e vem dominando coisas erradas –  sempre entre modos de vida.

Quer saber?  Sabe até onde vai o homicídio qualificado? Lembra do motivo fútil? Dez tiros, uma facada, afogando, matando.  Como se dizia lá em nós… só matando, mesmo!

Como lembrou o formidável Nelson Rodrigues, “na velha imprensa as manchetes choravam com o leitor”.  Mas a onda é outra. As redes sociais não perdoam. Fala-se muito em violência e o sangue dá na canela.

Aquele complexo ´minha casa minha vida´, que está sendo erguido na avenida Beira Rio vai trazer muitas manchetes quentes, fervendo, mesmo com a morte do velho copy desk, estilo dos jornais impressos, que espremidos, jorravam ketchup. Já foi anunciado até ´o pé-de-meia municipal´ Tá craude brô, você e tu, lhe amo.

Tantos crimes nesse  efeito de desaprumar  à margem das facções que se confrontam e metem medo e tantas vezes com as frases feitas repetidas pelos chefões, anfitriões, roceiros do inferno.

Essa repetição impõe-se as mancadas de funções aplanadoras que nos deixam entregues a mentira na sua encarnação mais somítica. Ainda que chegue em cima da hora, de cara com a catástrofe, tropeça no cadáver ainda quente e toque fogo. Vi uma imagem que viralizou de uma facção que vai ao velório de um inimigo e toca fogo no paletó de madeira, do senhor cadáver desconhecido.

Eu sei  de quê ou quem é muito apegado ao dinheiro e não gosta de o gastar. Quando morre, deixa pra quem Mané?

Há riscos em sair de casa à noite? Sempre. A qualquer hora. Risco maior, ainda assim, está por vir, nessa desconfiança absurda e vigilância maníaca e cínica dos podres poderes.

Até o velho Clark Kent , aquele ´Super-Homem´ – se vê relegado à condição de outsider e enfrenta a realidade brutal das cadeias lotadas e muita gente ruim, má, circulando por aí.

Pois, sim. O idiota da objetividade esquece como mesmo ver e escutar, mas não tira o olho da inteligência dos outros. E aí, vai continuar se esquivando?

Kapetadas

1 – Ovos, por favor. Uma dúzia de dez.

2 – Queria ser síndico, só pra começar os avisos afixados nos elevadores assim: “Muito me admira…”

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB