João Pessoa, 05 de abril de 2025 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora
ENTREVISTA AO MaisPB

Fi Bueno lança singles com Sandra Sá e Gilberto Gil e prepara novo álbum

Comentários: 0
publicado em 05/04/2025 ás 12h00
atualizado em 05/04/2025 ás 12h53

Kubitschek Pinheiro

O artista paulista Fi Bueno convidou Sandra Sá para gravar  “Menina da Pompéia”, um som de arrebentar o suingue e, claro, não podia ser outra, senão Sandra Sá com sua voz potente e timbre singular, que o Brasil aplaude há décadas.

O single está nas plataformas digitais desde o fim de março, com  produção musical de Guto Graça Mello.  “Menina da Pompéia” estará no álbum que Fi vai até o final deste ano 2025, que já conta  as participações especiais da parceira Anastácia e de Gilberto Gil.

O produtor Guto Graça Mello reuniu um time de craques, músicos conhecidos por tocar com nomes como Djavan, Gal Costa e Roberto Carlos – Fi Bueno (voz, violão e guitarra) e Sandra Sá (voz) são acompanhados por Paulo Calasans (teclados), Jurim Moreira (bateria) e Paulo César Barros (baixo elétrico). “Menina da Pompéia” tem ainda os arranjos de metais do maestro Ruriá Duprat e os toques de Jefferson Rodrigues (sax), Sidmar Vieira de Souza (trompete) e Paulo Malheiros (trombone).

“Menina da Pompéia” é o terceiro single do novo álbum autoral de Fi Bueno e chega na esteira da homenagem ao forró “Cabra da Peste” e do ijexá/pop “Que Clichê”, que é uma parceria com Zeca Baleiro.

O artista conversou com o MaisPB e mostra sua força, sua palavra escrita e cantada e muito mais.

MaisPB – O single “Menina da Pompeia” é dançante – as frases são ótimas – que menina é essa tão maravilhosa… vamos começar por aqui?

Fi Bueno – A “Menina da Pompéia” é inspirada na Carolina mas também nas andanças que fiz pela Pompéia quando a Céu morava lá e rolavam umas baladas musicais boas na casa dela. Eu ia fazer som na casa dela, a gente começou a compor ali… “Na Areia da Praia” é uma parceria nossa que nasceu ali e que terminei com a Anastácia… e lá na Céu ia muita gente interessante e musical… conheci o produtor musical Antônio Pinto ali… e muita gente da minha geração de artistas e músicos… “Menina da Pompéia” é inspirada naquela Pompéia que ainda não tinha tanto prédio e onde as casas da classe média prevaleciam e eram habitadas por parte dessa “classe artística da MPB”.

MaisPB – Ter chamado Sandra Sá para cantar “Menina da Pompéia”,  foi uma feliz ideia – tem uma hora que a gente pensa que quem está cantando é Elza Soares – fala aí?

Fi Bueno – A Sandra foi um presente do Guto Graça Mello que é o produtor musical de todos os meu trabalhos de 2016 pra cá. Com o Guto eu entrei nessa turma boa do Rio. O Guto ouviu a música e na hora me disse: vamos convidar a Sandra que fui eu que lancei pro grande público nos anos 80 e ela é grande amiga minha. Essa música é a cara dela, ele disse… E a Sandra chegou junto 100%! Parecia uma parceira antiga minha porque fluiu tudo de um jeito natural. Eu nem imaginava que a rainha do soul brasileiro chegaria pra cantar a “Menina da Pompéia” comigo e de repente ela já tinha cantado, foi incrível. E em maio faremos show no teatro Rival Petrobras, lá no Rio. A Sandra de Sá lembra a Elza Soares mesmo. As duas tem uma veia muito parecida neh… cantam de coração cheio e pra fora. Não tem personagem nessas artistas, é visceral mesmo. Amo! São rainhas da MPB!

MaisPB – Esse é o primeiro single e saíram outros que irão compor o disco. Aliás, o álbum sai este ano?

Fi Bueno – Já saíram dois singles antes de “Menina da Pompéia”: “Que Clichê” e “Cabra da Peste” “Que Clichê” é parceria minha com o Zeca Baleiro. A gente se conheceu no meu disco anterior, que fiz com a Anastácia. Anastácia me apresentou pra ele, que cantou “Estrela Cadente” junto com a gente. E ficamos amigos. A letra é do Zeca e a minha música. Cabra da Peste – é uma homenagem que fiz pro Nordeste e pros artistas nordestinos que são a minha essência musical. Meu pai é cearense e eu nasci no forró, dançando e depois tocando e compondo. Esse disco tem 11 faixas e se chama FI. Eu tô soltando aos poucos, em singles. Mas é um trabalho único pois foi gravado num mesmo lugar e pelos mesmos músicos, compreendendo uma fase da minha carreira em que morei em Cunha. (Localizada no alto Paraíba, o município de Cunha  fica no litoral do Rio de Janeiro)

MaisPB – Você chegou a montar um estúdio lá em Cunha, né?

Fi Bueno – Sim. Em Cunha muita coisa aconteceu e eu montei um estúdio com madeira de demolição e equipamentos Vintage que vieram do antigo estúdio do Guto Graça Mello, que era o principal estúdio da Som Livre. E outros equipamentos que vieram do estúdio Banda Sonora de Sampa, que era o estúdio do Ruriá Duprat e acabou na pandemia. Eu juntei esses equipamentos analógicos do Guto e do Ruriá e esse disco foi gravado nesse estúdio que fiz aqui em Cunha. Guto batizou de: Magic MOUNTAIN. Porque o estúdio ficava no alto de uma montanha a caminho de Paraty onde eu morava. Enfim, esse estúdio teve vida intensa, mas muito curta pois eu vendi logo depois que gravamos esse disco e virou um local de retiros espirituais. Portanto esse disco é o único disco feito nesse estúdio e foi muito especial mesmo, porque os músicos que gravaram são incríveis (Paulo Calasans, Jurim Moreira e Paulo César Barros). E as canções eu fui compondo durante a pandemia e durante os 4 anos em que morei em Cunha. E o Guto selecionou essas canções junto comigo. Enfim, FI é o disco mais forte e maduro da minha carreira. E vale ressaltar que os arranjos de metais são do Ruriá Duprat e foram gravados em Sampa por músicos da Jazz Sinfônica.

MaisPB – Super a interpretação Dona da Minha Cabeça, de Geraldo Azevedo, e parece sua, você cantando – incrível, né?

Fi Bueno – Dona da Minha Cabeça é das prediletas do coração. Cresci dançando essa música e cantando, e o Geraldo Azevedo eu amo de paixão. Compositor que é uma das minhas referências e o violão dele eu sou fã. Tanto que tirei a levada dele e reproduzi nessa gravação porque é uma levada que marca essa música! A minha voz encaixou nela né? Eu sinto isso também quando ouço. Sinto uma afinidade espiritual dessa música comigo.

MaisPB – Essa canção Interestelar  é linda – que você canta com Gilberto Gil – vamos falar dessa beleza?

Fi Bueno – Interestelar é uma canção que fiz pra minha mulher Carolina e pra Astrologia que é a minha “amante” de vida. Nela eu falo sobre a lei da sincronicidade, e não é que essa música sincronizou meu destino?… Recebi esse presente dos Deuses, que foi a participação do Gil e tem a Anastácia junto! Enfim, essa música se tornou tão importante pra mim que nós remixamos e remasterizamos interestelar   e lançaremos nesse novo disco. O som ficou mais incrível!

MaisPB – Quem é Fi Bueno?

Fi Bueno – Fi Bueno é um menino que nasceu na música da vitrola do pai e tocando o piano da mãe. Fi Bueno aprendeu violão com a  sua tia astróloga, cantora e compositora, Ciça Bueno. Fi Bueno cresceu no forró e ganhou o apelido de Fi, como ficou mais conhecido em Sampa. E hoje Fi Bueno tem uma escola de música que nasceu em 2009, Casa de Música, e uma carreira musical de cantor, violonista e compositor. A carreira cresceu e resolvi vender a escola e seguir apenas cantando e fazendo mapa astral junto com tarot, atendimentos que ofereço a alimentam também minha alma. Mas cada vez mais Fi Bueno está mais no Rio de Janeiro com uma banda carioca e um produtor musical carioca. E parceiros do Rio e Sampa. Fi Bueno é essa antropofagia de MPB com forró e música nordestina. Com influências da USP, FFLCH, onde se formou em Letras e com estudos e trabalhos astrológicos, conhecimento que fornece muito símbolo e atualização mitológica para nossa civilização ocidental, carente de mitos.

MaisPB – Tem uma canção ao vivo Menina Linda Menina, que beleza, é sua?

Fi Bueno – Minha Linda é uma canção minha, sim. Ela tem essa praia xote/funk. Um xote tercinado. Uma onda que peguei ouvindo do disco ÓI LÁ VOU EU de Dominguinhos. Ele ia gravar essa canção comigo, chegou a ouvir e disse que gostou, mas logo adoeceu e não deu tempo…Essa canção foi gravada no meu segundo disco: Acredite Na Vida, com Toninho Ferragutti na sanfona. Gosto dessa canção também! E ela traz essa onda que fui desenvolvendo no violão, que é meio reggae, meio xote, meio funk – nua mistura boa pra dançar.

MaisPB – Já veio cantar em João Pessoa?

Fi Bueno – Estive em João Pessoa em 2024 com a minha família e gostamos muito da cidade e das praias. Lugar paradisíaco. Consideramos morar aí, inclusive. Quero cantar em João Pessoa com a Sandra!

Escute aqui Menina da Pompéia

Assista ao clipe com Anastácia e Gilberto Gil aqui

Fotos: Carol Caffe e André Grego

MaisPB